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Produtos manufaturados desequilibram e já prejudicam comércio com a China

Só no primeiro bimestre, compras superaram vendas em R$ 1,81 bilhão, diz governo.

No ano passado, o saldo comercial do Brasil com a China ficou positivo em R$ 8,2 bilhões (US$ 5,2 bilhões) graças às vendas de recursos naturais, como petróleo, e matérias-primas brutas para o gigante asiático. No entanto, só nos dois primeiros meses de 2011, o Brasil já acumula um saldo negativo de R$ 1,81 bilhão (US$ 747 milhões) nessa relação comercial, segundo dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).

O resultado ruim se deve às compras em massa de produtos manufaturados do país asiático. Enquanto o Brasil vende minério de ferro, soja, petróleo bruto, óleo de soja e açúcar em peso para lá, o país asiático despacha para cá aos montes componentes e telas de cristal líquido para montar televisões, celulares, microcomputadores, lâmpadas e ar condicionado.

De olho nesse desempenho desfavorável, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, começa uma excursão pela China nesta segunda-feira (8) e, durante dez dias, fará reuniões com políticos e empresários para tentar reverter o jogo. A presidente deverá tocar em temas como a situação cambial e novas relações de compra e venda de produtos entre os dois países.

Entre janeiro e fevereiro, o Brasil vendeu R$ 6,1 bilhões (US$ 3,9 bilhões) em mercadorias para a China, sendo que 83,8% desse total eram de produtos básicos. Por outro lado, o país asiático enviou para cá R$ 7,4 bilhões (US$ 4,7 bilhões) em produtos, sendo que 96,7% desse montante vieram de manufaturados.

O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, afirma que o Brasil perde muito na relação comercial coma China, sobretudo com a valorização do iuan, a moeda do país, “entre 20% e 25%, o que cria uma competitividade artificial para o produto chinês”.

– No caso do Brasil, dois terços das nossas vendas são soja e minérios. Eles compram matérias-primas, onde não agrega valor, e nos vende 100% de manufaturados. Em 2011, podemos ter na balança de manufaturados, sem contar as commodities [matérias-primas], um saldo negativo de US$ 40 bilhões [R$ 63,24 bilhões]. Então, é interesse de quem comprar matéria-prima bruta e vender camisa, sapato, eletroeletrônicos, roupas, automóveis, brinquedos? Quem é que está ganhando nessa relação? É lógico que só a China.

Flávio Castelo Branco, gerente-executivo de política econômica da CNI (Confederação Nacional da Indústria), reconhece que o Brasil tem um bom “volume de comércio com a China, mas ele é completamente desbalanceado no que diz respeito aos produtos manufaturados”. Para ele, a saída para a indústria brasileira é apostar em produtos com design arrojado e mais bem desenvolvidos.

– Para melhorar, temos que ter políticas tanto públicas como nas empresas em relação à competitividade e à produtividade. As empresas brasileiras percebem a China como uma competidora e têm perdido mercado para os produtos chineses. Essa questão se resolve com a diferenciação de produtos, melhoria de qualidade, novos produtos e design. Ou senão, elas devem se associar aos chineses, ao comprar partes e peças da China ou produtos prontos e vendendo com sua marca própria com o Brasil.

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